Começando pelo início: o open banking tem o objetivo de simplificar e democratizar o Sistema Nacional Financeiro (SNF) na oferta de serviços. Para isso, ele vai incentivar a abertura do sistema financeiro brasileiro através do compartilhamento de dados entre instituições bancárias ou financeiras de modo padronizado por meio da tecnologia.

Assim, o open banking deve acabar com o monopólio de informações nesse ramo – lembrando que os cinco maiores bancos brasileiros abocanham quase 78% dos ativos do setor.

No entanto, apesar do esforço de divulgação das instituições financeiras e inúmeras reportagens sobre o tema, um levantamento da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) revelou que 57% dos brasileiros não conhecem o sistema e 41% já ouviram falar mas não entendem como ele vai funcionar. A Grafeno explica.

As 4 fases de implementação

1ª. Compartilhamento de dados das instituições financeiras

Na primeira fase, que teve início lá em fevereiro, as instituições passaram a compartilhar entre si informações sobre suas taxas, preços e produtos, tudo sob a supervisão do Banco Central.

O que isso significa: é possível fazer comparações de produtos e serviços financeiros, o que facilita a escolha de produtos de acordo com as necessidades de cada cliente.

2ª. Compartilhamento de dados do consumidor

Essa é considerada a fase que vai trazer mais impactos aos usuários do sistema financeiro já que todos os players que participam dessa iniciativa devem trocar informações cadastrais de clientes, como dados pessoais e de transações, além de informações sobre cartão e operações de crédito – tudo com a prévia autorização do usuário, claro.

Inicialmente, a segunda fase tinha previsão para implementação a partir de 15 de julho. No entanto, as instituições financeiras pediram ao Banco Central o adiamento para realização de mais testes de segurança e a nova data estipulada é 13 de agosto.

O que isso significa: com as informações dos usuários, as instituições financeiras devem desenvolver produtos e serviços super customizados (e com preços competitivos) para atrair e reter mais clientes.

3ª. Serviços à escolha do consumidor

Com previsão de implementação em 30 de agosto, a terceira fase do open banking vai permitir que os consumidores tenham acesso a serviços financeiros, como pagamentos e encaminhamento de propostas de crédito, com instituições financeiras com as quais ele não tem vínculo.

O que isso significa: o consumidor ganha autonomia no acesso a serviços financeiros pois vai poder enviar e contratar propostas de instituições que ele escolher sem a obrigação de ser um cliente.

4ª. Ampliação de dados, produtos e serviços

Na última fase do open banking, com previsão para implementação em 15 de dezembro, haverá a inclusão de novos dados que poderão ser compartilhados, como contratação de operações de câmbio, investimentos, seguros e previdência privada.

O que isso significa: os consumidores passam a ter o controle do compartilhamento de uma gama maior de informações, o que pode levar à criação de produtos ainda mais personalizados e competitivos.

O que você ganha com isso?

O compartilhamento de informações deve incentivar um ambiente mais competitivo para o sistema financeiro, forçando as instituições a inovar e melhorar os serviços oferecidos aos clientes, como melhores taxas de juros, linhas de crédito e opções de investimento.

Contudo, você ainda será dono dos seus dados e poderá escolher quais empresas terão (ou não) acesso a eles – e ainda determinando o período dessa consulta. Com toda essa mudança, é provável que muitos produtos surjam e, consequentemente, a concorrência no mercado, que vai fazer os players correrem atrás dos clientes para ganhá-los e retê-los.

Além disso, o open banking vai trazer agilidade e praticidade: em breve, será possível ter conta no banco X, cartão de crédito da fintech Y e investimentos na instituição Z. E o melhor: tudo sem ter que lidar com as burocracias existentes hoje, como diversos cadastros, aplicativos e solicitações de serviços em diferentes canais. Isso porque essas empresas já terão suas informações e um perfil de potencial de consumo delineados.

Como vai funcionar o compartilhamento?

Para aqueles que têm o mínimo conhecimento sobre o open banking, está claro que o sistema vai permitir o compartilhamento de dados do cliente entre as instituições bancárias – com sua prévia autorização. Mas a forma como esse processo vai ocorrer ainda é um tema pouco disseminado.

1. Consentimento: primeiro, você vai escolher a instituição (ou instituições) com a qual quer compartilhar seus dados. Lá, você vai informar a origem dos dados que serão compartilhados – como um banco que você já tem conta, por exemplo – além do escopo de uso desses dados e o prazo de consentimento.

2. Redirecionamento de ida: a instituição que vai receber seus dados vai te informar que, para concluir o compartilhamento, você será direcionado para o canal da instituição de origem dos dados.

3. Autenticação e confirmação: no canal da instituição de origem dos dados, você acessa sua conta normalmente e autoriza o compartilhamento com a instituição que os receberá.

4. Redirecionamento de volta: a instituição de origem vai te direcionar de volta para a instituição que vai receber seus dados para concluir o compartilhamento.

5. Efetivação: a instituição que receberá seus dados confirma que o compartilhamento foi efetuado com sucesso.

OK, ainda pode parecer um processo burocrático. Mas é importante ressaltar que, em pouco tempo, devemos ver o surgimento de players especializados em infraestrutura as a service que devem acelerar a adoção de novas tecnologias que eliminam ações manuais, como agregadores bancários, financeiros e de investimento com todas as soluções contratadas por você, bem como a oferta de produtos e serviços ideais para seu perfil, com a possibilidade de gerenciar tudo isso em um único lugar.

Open banking é isso: a tecnologia, mais uma vez, atuando como agente transformadora.

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