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Este artigo foi publicado primeiro no Valor Econômico.

Com o avanço de novos entrantes no setor financeiro, como varejistas e operadoras de telecom, começa a ganhar força o chamado ”banking a service” (BaaS). É um modelo de negocio que permite diferentes setores construírem soluções financeiras digitais, seguindo uma tendência global conhecida como ”embedded finance”, ou finanças embarcadas. O pano de fundo desse movimento aqui e em outros países é o open banking.

”O mercado financeiro está passando por um grande momento de mudança que vem transformando empresas não financeiras em provedores de serviços financeiros digitais e acelerando a demanda pelas conexões e integrações via APIs”, analisa Bruno Diniz, sócio da consultoria Spiralem e diretor para a América do Sul da Financial Data and Tecnology Association (FDA-TA). No Brasil, o mercado de BaaS está aquecido e reúne pelo menos dez players, entre eles, Bankly, BPP, Dock, FitBank, Matera e Zoop.

A Acesso, que começou como fintech de cartões pré-pagos, lançou em 2020 o Bankly, plataforma que atende varejistas, companhias de software, adquirentes, subadquirentes e empresas de educação. A fintech tem licenças de instituição de pagamento (IP) e conta de liquidação, o que faz com que integre o Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB). Também está no Pix como participante direto.

”Aplicamos para licença de IF [instituição financeira] em outubro e estamos aguardando a aprovação do Banco Central”, diz Davi Holanda, CEO da Acesso. Para este ano, os principais objetivos são entrarem crédito e seguros. Em abril a plataforma atingiu R$ 3 bilhões em volume total processado (TPV, na sigla em inglês) no mês.

A BPP também opera como instituição de pagamento regulamenta eplo BC e tem o codigo 301, que a faz pertencer ao SPB. ”Nossa plataforma é verticalizada. Temos uma oferta completa de banking as a service”, diz o diretor Paulo Della Volpe . A empresa tambem iniciou sua trajetoria no mercado de cartoes pré pagos.

”O banking as a service tem essa caracteristica invisivel. O que oferecemos para o mercado é facilitar os meios de pagamento”, afirma Della Vilpe. A BPP oferece APIs de TED, boleto, cobrança, e Pix para participantes indiretos. ”E agora estamos entrando no universo do open banking, a partir de maio.”

Com R$ 3,5 bilhões transacionados mensalmente, a Dock espera cruzar 2021 com cerca de R$ 6 bilhões em volume transacionado por mês, segundo o CEO, Fred Amaral. A fintech atende 130 clientes, como subadquirentes, transportadoras empresas de vendas direta. Deve lançar até julho serviço de empréstimo pessoal e cartão de crédito. No segundo semestre, o objetivo é incluir seguros e investimentos, por meios de parcerias.

As fintechs ”invisíveis” ganham espaço em novas frentes, diz o especialista Bruno Diniz, como back-office de fundos de investimento, registro e gestão de recebíveis. A Grafeno é uma delas. A fintech oferece contas digitais e infraestrutura de registros eletrônicos para mais de 150 financiadores, entre eles, os principais fundos de direitos creditórios (FIDCs), além de securitizadoras e outras fintechs.

Disponibiliza ainda conta digital a mais de 3 mil empresas que têm acesso ao mercado de capitais, usando duplicatas como lastro, diz Paulo David, CEO da Grafeno. Além de emissão de cédulas de crédito bancário (CCBs), emissão, controle e gestão de recebíveis, a Grafeno aguarda licença do BC para operar como registradora de duplicatas eletrônicas, em parceria com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPCBrasil).

Outra que desponta no segmento é a Lina. Fundada por ex-executivos do setor financeiro como Marcio Castro (ex-diretor de tecnologia do Safra e da B3), a empresa oferece soluções de open banking, conectividade e infraestrutura, além de carteira digital ‘white-label’ com foco em novos entrantes do setor. ”Desenvolvemos sistema de ‘clearing’, e pretendemos ter também serviço de depositária de ativos financeiros”, afirma Castro.

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