Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), as operações com o Pix já representam mais de 30% de todos os pagamentos no Brasil. Ou seja, o Pix chegou para inovar o mercado mas, infelizmente, alguns fraudadores decidiram acompanhar a modernização.

Em pouco tempo, o Pix tornou-se rotina para boa parte dos brasileiros ao trazer muita praticidade e está em constante atualização, com modalidades como Garantido e Agendado, que permitirão o parcelamento e a programação de transferências, que estão previstas para serem os próximos passos dessa evolução.

Vale lembrar que transações com Pix são rápidas, gratuitas e podem ser feitas a qualquer horário do dia, porém, são praticamente irreversíveis. Uma vez que algo tenha acontecido com a conta, até que o banco seja capaz de identificar a movimentação suspeita é provável que os fraudadores já tenham levado o dinheiro. 

Para te ajudar com essa nova realidade, a Grafeno reuniu alguns golpes comuns que foram intensificados com a chegada do Pix e te dá dicas para evitar problemas. 

Comece pelo básico

A dica de ouro é sempre confirmar os dados do recebedor e não prosseguir caso tenha algum tipo de suspeita. Esse cuidado vale tanto para transferências comuns quanto por Pix.

Aliás, não se esqueça que é recomendado utilizar chaves aleatórias para as transações em vez de dados pessoais, como CPF ou e-mail, pois elas dão maior privacidade e podem ser descartadas após o recebimento da transferência, caso deseje.

Cadastro falso

Esse tipo de golpe foi um estouro quando o Pix chegou ao mercado e tem como principal alvo pessoas que nunca o utilizaram. 

Através do envio de e-mail adulterado para uma base de usuários, os fraudadores fingem ser de instituições bancárias que oferecem vantagens caso o cadastro do Pix seja efetuado por esse endereço eletrônico.

Ao clicar no link, o usuário provavelmente será levado a uma página de cadastro, também adulterada. Nela, serão solicitadas algumas informações como nome, CPF, número de telefone ou conta bancária, tudo com a intenção de roubar dados.

A pior parte é que essas quadrilhas especializadas venderão essas informações em um mercado ilegal, assim, eles podem ser usados em golpes mais sofisticados que (literalmente) roubam a identidade do usuário. 

A regra para passar longe dessa artimanha é clara: jamais clique em links suspeitos — com caracteres incomuns, erros de digitação e gramaticais ou de sites onde você não tem cadastro —, e cadastre a chave do Pix através do aplicativo oficial da instituição financeira.

Vale ressaltar que bancos nunca pedem informações as quais já tenham acesso, como a confirmação de dados cadastrais. Ative o Pix confirmando os dados da chave escolhida, como o número de telefone ou CPF, quando essas opções são as escolhidas pelo usuário. 

O falso funcionário

Alguma vez recebeu uma mensagem ou ligação de um suposto funcionário do seu banco informando algo errado? Pois alguns fraudadores usam esse artifício para aplicar golpes. 

A ideia é simples: eles acionam a vítima informando que há um problema na conta e que ela será bloqueada se uma transação de Pix não for feita em cinco minutos para uma chave específica.

Algumas pessoas caem nesse tipo de golpe e acabam transferindo valores aos fraudadores. Normalmente, para não gerar suspeitas, não são quantias muito altas, não passando de R$ 10 por vítima. Entretanto,  esses fraudadores chegam a fazer 20 ou 30 vítimas em horas, arrecadando R$ 200 ou R$ 300 em um único dia de golpes. 

Pode parecer que eles sabem qual o banco de cada usuário, porém, eles não têm essa informação. Isso é apenas um truque de sorte: eles entram em contato com várias pessoas em sequência e, eventualmente, conseguem identificar quais são as instituições bancárias de suas vítimas. 

Vale lembrar que nenhum banco entrará em contato solicitando um Pix para resolver um problema. Se estiver em dúvida, desligue a ligação ou pare de responder as mensagens, e recorra diretamente ao canal oficial da sua instituição bancária.

Bug do Pix

O sistema do Pix é robusto e seguro. Todas as instituições que o adotam devem seguir um protocolo rígido, garantindo que não haverá gargalos ou falhas de segurança no meio do caminho. Ainda assim, podemos encontrar algumas fake news com formas mirabolantes de enganar o sistema. 

Alguns golpistas prometem que, ao transferir valores específicos para chaves Pix de outros bancos, os usuários conseguem quebrar regras internas da ferramenta para, supostamente, receberem valores consideravelmente maiores do que o investimento inicial.

Acontece que, em regra, os proprietários dessas contas são os próprios fraudadores. 

Não precisa ir muito longe para entender que quem realiza esse tipo de transação apenas cai em um golpe e não recebe qualquer retorno financeiro. 

QR Code adulterado

Além das chaves, o Pix permite que as transações sejam concluídas através de um QR Code. É um jeito simples e mais visual de realizar transações — utilizado, principalmente, por lojas e empreendedores —, no qual o usuário precisa ter apenas sua câmera a postos. Porém, essa prática é também um alvo para fraudadores, especialmente no meio digital. 

Com o boom das lives em 2020, foram identificados casos em que fraudadores gravaram transmissões ao vivo e a reprisaram como material novo utilizando QR Codes adulterados que angariam fundos para causas aparentemente nobres, como de organizações não governamentais (ONGs) e outras entidades sociais.

Na verdade, o dinheiro das doações cai nas mãos dos golpistas, uma vez que o QR Code da transmissão original foi substituído. 

Aqui vale a dica lá do começo deste artigo: a Grafeno recomenda que o destinatário do valor seja sempre verificado antes de finalizar uma operação. Caso perceba alguma discrepância, como nome de pessoa física em vez de razão social de uma ONG, por exemplo, cancele o envio.

Apesar de toda segurança que o QR Code do Pix proporciona, ele demanda atenção como qualquer transação bancária, pois nesses casos as fraudes se valem da engenharia social,  onde o criminoso utiliza inúmeras técnicas para levar a vítima ao erro.

 

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