crescimento FIDCs

Prestes a completar 20 anos, os Fundos de Investimento em Direito Creditório (FIDCs) nunca tiveram o seu potencial plenamente explorado pelo mercado, mas isso está começando a mudar. Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), a captação de recursos pelos FIDCs no primeiro semestre de 2021 foi de R$ 31,2 bilhões – quase o total do acumulado em 2020, que foi de pouco mais de R$ 33 bilhões.

De acordo com João Pirola, diretor de Expansão da Grafeno, um dos fatores que contribuem para esse crescimento é a geração consistente de retornos que os FIDCs vêm demonstrando. “Com a melhora do cenário de crédito e a Selic em alta, a remuneração proveniente dos FIDCs torna-se cada vez mais atrativa em relação a outras opções de risco equivalente.”

Além disso, devido a suas estruturas – que emitem cotas e, por meio de oferta pública junto aos investidores, capta recursos para adquirir créditos das empresas cedentes – esse tipo de fundo consegue agregar maior proteção ao investidor, enquanto outras opções de investimento em renda fixa têm retornos menos expressivos: em termos de patrimônio total, os FIDCs cresceram  25% no primeiro semestre de 2021, contra retração de 7,3% nos fundos de renda fixa como um todo. Ou seja, os FIDCs – que também são um tipo de investimento em renda fixa – estão vendo volumes de captação notavelmente acima do agregado da categoria.  “Os FIDCs possuem uma grande diversidade de lastro, que funcionam como uma ferramenta para redução dos riscos de inadimplência”, complementa Pirola.

Manobras rápidas protegeram maior parte dos FIDCs

No início da crise causada pela pandemia da COVID-19, a exposição de alguns FIDCs a segmentos mais afetados, como comércio e indústria, causou apreensão e expectativa de crescimento exacerbado das taxas de inadimplência, além de redução no volume geral de recebíveis gerados por essas empresas.

Ocorre que, geralmente, os FIDCs são compostos por recebíveis de curto prazo originados em diferentes segmentos de mercado, o que possibilitou que seus gestores pudessem ajustar a exposição de suas carteiras rapidamente, direcionando operações para atividades econômicas menos afetadas pela pandemia, como comércio eletrônico e saúde . Por isso, com a crise amenizada, o nível de vencidos continua controlado e o de inadimplência, dentro do esperado. 

Previsões? Temos.

As perspectivas para os FIDCs só melhoram. Além da progressiva retomada da economia, o aumento dos juros devem levar as empresas a buscarem alternativas de financiamento, entre elas, o FIDC. Paralelamente, a agenda BC# estimula a desbancarização do crédito e o aumento da oferta de empréstimos por outros players, como fintechs.

Há ainda, a revisão normativa da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que já está em curso e que pode permitir o acesso do público em geral ao FIDC. “Hoje, apenas investidores qualificados podem fazer parte de um FIDC. Com essa limitação, o que torna o número de cotistas pequeno em relação ao montante bilionários sob gestão dos mesmos, se comparado com outras classes de ativos”, afirma Pirola. É fundamental possibilitar a crescente desse número porque, quanto mais investidores, mais pessoas terão acesso às oportunidades dos FIDCs como componente de carteiras diversificadas.

Com segurança, proteção, volatilidade relativamente baixa e retornos consistentemente acima do mercado, os FIDCs merecem ter mais espaço na carteira dos investidores de todos os tipos e trazem ventos favoráveis para o investidor brasileiro finalmente notar a relevância dos FIDCs. 

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