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Esse artigo foi publicado primeiro no Finsiders.

Além de plataformas de BaaS, o mercado vem ganhando nos últimos anos fintechs de infraestrutura que atuam com registro de recebíveis (CERC, por exemplo), back-office de fundos de investimento (alô, Vórtx e Investtools), entre outros segmentos. Entre os nomes que despontam nessa área estão Grafeno e Lina.

A Grafeno oferece contas digitais e infraestrutura de registros eletrônicos para mais de 150 financiadores, incluindo os principais fundos de direitos creditórios (FIDCs), além de securitizadoras e outras fintechs. A empresa fundada por Paulo David (ex-Biva, Sofisa Direto e Inseed Investimentos) almeja ser a fintech de outras fintechs, credores e empresas (indústria e varejo) que acessam FIDCs e securitizadoras.

A fintech disponibiliza uma conta digital para mais de 3 mil empresas – médias e grandes indústrias e varejistas – que têm acesso ao mercado de capitais, usando duplicatas como lastro, conta Paulo David, CEO da Grafeno. A previsão é chegar a 10 mil contas até o fim deste ano, diz o empreendedor. “Devemos lançar em breve Pix para PJ”, antecipa.

O diferencial da conta digital para empresas está no módulo de recebíveis que, segundo a fintech, é mais completo do que o disponibilizado pelos bancos digitais; e mais automatizado e fácil de usar, se comparado aos sistemas dos bancos tradicionais. No futuro, as empresas poderão, inclusive, usar as contas para escriturar e negociar a carteira de cobranças.

“Um dos nossos business é registro. A escritura deveria ser tão simples quanto virar uma chave de configuração do celular. A gente embedda dentro da conta, toda a infraestrutura para facilitar experiência do usuário. Estamos desenvolvendo infraestrutura para registro e escrituração das operações e o portal, que mercado usa para acessar crédito”, revela David.

Além de emissão de cédulas de crédito bancário (CCBs), emissão, controle e gestão de recebíveis, a Grafeno aguarda licença do BC para operar como registradora de duplicatas eletrônicas, numa parceria com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). “Estamos na última etapa da aprovação da convenção de interoperabilidade. Em um ou dois meses, devemos ter aprovação da convenção. Nossa autorização vem junto com convenção. É um mercado que vai inaugurar daqui a pouco”, conta o empreendedor.

Já a Lina, que acaba de nascer, se posiciona como uma infratech no mercado financeiro. O negócio tem no time fundador ex-executivos do setor, como Marcio Castro (ex-diretor de tecnologia de Safra, B3, Cetip e ex-CIO da Redecard); Murilo Rabusky (ex-ipmf global, XP, Citi e Anbima); e Alam Kim Mareines (ex-ipmf global e Anbima). O business nasceu com capital próprio dos sócios-fundadores, e os empreendedores já foram procurados por investidores, diz Marcio Castro, cofundador e CEO da Lina.

“Estamos construindo tecnologia, portfólio de clientes, gama de produtos. Naturalmente já fomos procurados por investidores. Precisamos crescer mais, aumentar cartela de clientes e gama de produtos”, conta ao Finsiders, em sua primeira entrevista desde que o negócio foi criado.

“Nosso anseio é se tornar uma infraestrutura de mercado financeiro, numa base tecnológica mais atualizada, de fintech, e não de empresa gigante. Desenhamos para ter processos robustos, ser seguro, eficiente, porém com pegada de tecnologia, metodologia ágil de desenvolvimento, uso de novas tecnologias, adoção de nuvem”, explica o executivo, agora empreendedor.

A empresa oferece soluções de open banking, conectividade e infraestrutura, além de carteira digital ‘white-label’, esse último com foco em novos entrantes do setor. “Desenvolvemos sistema de ‘clearing’, e pretendemos ter também serviço de depositária de ativos financeiros”, revela Castro. E ele sabe do que fala, afinal tem muita experiência com infraestrutura para mercado financeiro, sistemas de clearing e standards para o setor, como ISO 20022.

Esse é um padrão de mensageria para entidades do mercado financeiro, de troca de informações e mensagens entre bancos e infraestruturas de mercado financeiro, para liquidação de pagamentos, compensação de fundos. Esse padrão é, inclusive, uma das bases do Pix, sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central (BC), explica Murilo Rabusky, cofundador e responsável por marketing e vendas na Lina.

Desde o início do negócio, em outubro de 2020, a infratech tem quatro clientes diretos e um pipeline com outros dez prestes a fechar. O plano é chegar a pelo menos 50 clientes até o fim do ano, dizem os empreendedores. “Todos os nossos produtos têm um ciclo de venda maior”, explicam. Em open banking, a startup está ofertando um produto para instituições financeiras, em especial bancos, que precisam transmitir seus dados. “Nossa oferta é ‘as a service’, e rapidamente a instituição vai estar compliance e vai poder usar plataforma para acelerar processos digitais.”

A Lina tem, ainda, um produto chamado Lina Connect Bank, uma espécie de ‘SBP as a service’. “Para ter banco, vai precisar ter acesso ao SBP, e esse acesso é caro. Criamos uma oferta de PSTI, provedor de serviço de tecnologia de informação, e normalmente, incluímos como oferta para neobanks”, explica Castro.

Ele cita, ainda, que a empresa desenvolveu uma carteira digital white-label, com internet e mobile banking, que pode ser adotado por novos entrantes, entre eles, varejistas, operadoras de telecom, atacadistas, que querem passar a ofertar serviços financeiros. “Desenvolvemos sistema de clearing e pretendemos também ter serviço de depositária”, revela.

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