*Esta matéria é de autoria do NeoFeed.
Por Rodrigo Loureiro
04/04/2022

O economista Felipe Moreno, ex-Voiter, assume a operação da companhia que já transaciona mais de R$ 50 bilhões por ano e tem entre seus investidores a gestora fundada por Carlos Fonseca, ex-sócio do C6 Bank e do BTG Pactual

Fintech que opera com o fornecimento de infraestrutura para a realização de operações de crédito, a Grafeno tem um novo CEO. A companhia, que é uma das apostas da Galapagos Capital, anunciou nesta segunda-feira, 4 de abril, que Felipe Moreno substitui o executivo Paulo David no comando da empresa.

Economista com passagens por Itaú, Banco Indusval & Partners e Voiter, Moreno assume o cargo oficialmente nesta segunda-feira, mas já estava desde o mês passado à frente das operações tanto da fintech Grafeno Pagamentos, como da holding Grafeno.

A holding conta também com a SPC Grafeno, joint venture que atua como uma controladora de duplicatas e foi fundada em 2019 por Paulo David e João Pirola em conjunto com Alvaro Vidigal, Daniel Lemos (da Singulare) e a Galapagos Capital.

Carro-chefe, a Grafeno Pagamentos atua em duas frentes. Para credores (fundos de crédito, fintechs e grandes empresas), facilita a gestão de recebíveis e garantias. Para empresas de médio porte, com faturamento de R$ 20 milhões até R$ 200 milhões, auxilia no processo de captação de crédito para lidar com a falta de capital de giro.

A chegada de Moreno serve para impulsionar o negócio que vem dobrando de tamanho a cada ano e já captura cerca de um terço dos credores não-bancários do mercado, segundo a empresa. “Não queremos crescer apenas em valuation, mas também fazer resultado”, afirma o executivo em entrevista ao NeoFeed.

Com experiência lidando com empresas de alta escala e volume transacional no mercado financeiro, Moreno diz que prioritariamente terá pela frente duas missões. A primeira é organizar o crescimento orgânico e sustentável da companhia. A outra é conectar diferentes negócios da Grafeno holding, tanto os que já existem como os que ainda serão lançados.

Para isso, o modelo de negócio é baseado na cobrança de mensalidades pelo uso de uma plataforma que permite a abertura de contas PJ e Escrow, emissão de Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), além de operações como pagamentos e transferências. Alguns serviços contam com taxas adicionais.

Ainda que tenha soluções que aproximem a companhia de um banco digital voltado para o setor corporativo, Moreno afirma que este não é o objetivo do negócio. “O negócio é baseado em orquestrar a relação entre credores e empresas”, diz o executivo.

Em números, a Grafeno terminou 2021 transacionando algo em torno de R$ 50 bilhões e com pouco mais de 2 mil contas ativas dentro da plataforma, somando credores e empresas que buscam crédito. A meta para este ano é ter 6 mil contas ativas e mais de R$ 100 bilhões transacionados. Até o fim de março, a companhia registrou um total de 3,8 mil contas ativas e R$ 36 bilhões transacionados.

A previsão de escalada tem relação direta com o aumento do número de funcionários do negócio, que deve passar de 120 para mais de 200 neste ano. “Houve uma organização do time de negócios, investimentos em marketing e no amadurecimento da plataforma”, afirma Moreno. “O crescimento tem sido orgânico e exponencial porque é uma solução de fácil implementação.”

Ao concentrar diversos serviços numa só plataforma, a Grafeno passa atuar em um mercado mais amplo em que tenta capturar clientes e ganhar espaço ocupado por empresas que fornecem apenas uma ou outra solução.

No serviço principal, uma de suas concorrentes é a fintech Money Money Invest, que também facilita a obtenção de crédito por pequenas e médias empresas e recentemente captou R$ 7 milhões num aporte junto a Randon Ventures. Já a conta digital da Grafeno, em outra instância, compete diretamente com bancos e fintechs que oferecem este serviço, a exemplo da Cora, por exemplo.

A carteira de clientes Grafeno não é divulgada, mas o NeoFeed apurou que a companhia tem entre os credores startups como a iClinic, focada em consultórios médicos e que fornece uma maquininha de cartão e serviços como a antecipação de recebíveis, e a a55, fintech especializada em empréstimos para empresas.

A escalada da operação por meio de investimentos externos está descartada. Lucrativa, a companhia recebeu injeções de capital apenas dos sócios-fundadores. No longo prazo, porém, é possível que a empresa faça um IPO. “Pode ser um caminho, mas que ainda está longe”, diz Moreno.

A história é diferente em relação a outros negócios da holding Grafeno e que ainda não saíram efetivamente do papel. A companhia vem negociando investimentos seed em duas startups que atuam com gestão de portfólio e de tokenização de ativos recebíveis. “São negócios sinérgicos ao ecossistema da Grafeno”, diz Moreno. Não há previsão de quando os negócios vão começar a operar.

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